terça-feira, 13 de janeiro de 2015

aquilo que nunca vou saber dizer..

e ficam as cicatrizes daquilo que sou. mais um corte, mais um cigarro a sair do maço já vazio. a garrafa derramada, vazio no chão gelado da minha casa. e aqui estou eu, sozinha. e mesmo assim perdida. dos meus braços o sangue escorre, da minha boca o fumo desaparece, e mais um golo. e mais um cigarro, e mais uma gota de sangue. mais um pouco de mim a cair de entre os meus dedos, mais uma lágrima e menos um sorriso. o cansaço vence, a bebida ganha, o cigarro consome-me. e assim fico ai, mais perdida que morta. mais perdida que partida. de coração magoado e vazio, de mente cheia e barulhenta. coração calado, coração parado. a minha mente grita socorro e minhas pernas se erguem e seguem. o frio esconde a realidade, o sorriso e o esconderijo. não vais saber da minha vida e vais pensar que a sabes de cor. nem tudo o que te conto é a verdade, nem tudo o que se passou é passado. o sorriso é a arma mais poderosa de um triste. o beijo é a arma mais poderosa de um vazio. e o cigarro a mais poderosa do perdido. não quero continuar este caminho, não quero esta estrada, não quero esta vida. prefiro um soco na cara a um facada nas costas. prefiro um insulto de um inimigo, do que uma falsidade de um amigo. o céu para mim já não é azul, o rio já não corre, e o caminho já não é para a frente. parei. o cigarro acabou e há-de haver um próximo. mais uma garrafa, mais uma gota. mais um sorriso amanha de manhã, mas hoje a lágrima é mais forte, o soco no estômago aumenta. e em cada linha mais um pingo de raiva, mais um pouco de ódio. e tudo por causa daquilo que nunca vou saber dizer.. 

#ódio -áris.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

aquilo que guardo em mim.

em cada frase que eu escrevia tinha uma outra nas entrelinhas. em todos os "depois falamos" tinha sempre um "ate amanha, por favor". em qualquer "vai embora" havia um "fica" e em todas as mensagens de boa noite havia um "amo-te". percebi que era amor quando depois, do boa noite ouvia o meu coração a gritar "amo-te". talvez ele nunca fale tão alto, ao ponto de o ouvires, pois a minha boca não sabe dizer o amo-te de meu coração. porque nenhuma boca é capaz de demonstrar o amor do mesmo, apenas quem o ouve sabe o que é amar de verdade. nem todos temos a capacidade de o ouvir, só quem escuta sabe o significado da palavra "amo-te". e quantos dissemos ao longo destas linhas, quando a única verdade de uma declaração de amor, se encontra nas entrelinhas. será que amei? será que em mais de 16 anos fui capaz de algum dia dizer um "amo-te" nas entrelinhas? mas o meu coração já gritou "amo-te" no fim de uma boa noite. naquele abraço, naquela noite, não escutaste mas ouviste certamente. porque os meus olhos brilhavam e o meu mundo ficou nas tuas mãos. as saudades que eu tenho de a par contigo segurar o nosso mundo. tomo conta do teu, mas promete que não deixas o meu cair. confio em ti. sempre me declarei nas entrelinhas, aquelas que ninguém consegue ler. todos nos questionamos, porquê que quando amamos não o sabemos dizer. porque amar não se diz, nenhum amo-te da tua boa será um amo-te do teu coração. porque todas as verdades são demonstradas e não contadas como histórias de boca em boca. porque nem todos os beijos são um "amo-te", mas todos os "amo-te" podem ser demonstrados com beijos, abraços, entrelinhas. o meu coração já disse que te ama, mas tu nunca foste capaz de escutar, ou então escutaste, mas como eu fizeste disso aquilo que guardas em ti ...
#amor -áris.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Natal?

tenho saudades do verdadeiro natal. tenho saudades da alegria das minhas primas quando abriam as prendas, saudades da magia do pai Natal e da inocência delas quando ainda acreditavam no mesmo. Tenho saudades das tardes das vésperas a fazer bolos típicos de natal. Nunca gostei dos bolos de natal, mas aquele cheirinho, aquela correria na cozinha, aquela tarde era simplesmente a melhor do ano. Lembro-me da troca de prendas, da minha alegria. da minha felicidade. e quando fazíamos a árvore? era sempre no feriado do dia 1 de Dezembro e agora já nem feriado é... tenho saudades de me acordar a meio da noite e apenas ver as luzinhas vermelhas, azuis, verdes e sempre assim até aos Reis. tenho saudades dos calendários de chocolate e dos bonecos de neve de chocolate pendurados na árvore. tenho saudades do presépio, e do pinheiro. das prendas e de bem cedo acordar só para poder abana las à vontade e tentar adivinhar o que era. tenho saudades de contar os dias para a noite de natal. tenho saudades de ter a roupa nova para aquele momento tão aguardado. tenho saudades da lareira e da família à volta da mesa. tenho saudades das primas, dos tios, das tias e dos avós. tenho saudades do bacalhau e das batatas. tenho saudades de comer da travessa. tenho saudades da esperança, da harmonia, da amizade e da lealdade. tenho saudades da verdade. tenho saudades do amigos ocultos, das trocas de prendas. tenho saudades das festas de Natais, as minhas e as das primas. tenho saudades das musicas e das luzes. tenho saudades de perguntar as horas de 5 em 5 minutos. tenho saudades das fotos com o Pai Natal. tenho saudades dos filmes de natal, dos festivais da televisão. tenho saudades de percorrer as casas todas na véspera. tenho saudades de receber aquelas revistas de brinquedos e por uma cruzinha naquilo que eu queria. saudades de querer tudo e não querer nada. tenho saudades de escrever a carta e de a colocar mesmo no correio vermelho pertinho da minha casa. tenho saudades do frio. tenho saudades de receber todos os anos um pijama e daqueles 5€ dos avós que queixavam se sempre do mesmo. tenho saudades de acreditar em tudo isto. tenho saudades se não saber a verdade, para ser sincera. tenho saudades do tempo em que era tudo verdadeiro e magico. tenho saudades de acreditar que havia família, espírito de equipa, amigos, verdade, lealdade. tenho saudades de me sentir bem e de sentir o verdadeiro espírito de natal. tenho saudades da estrela à meia noite, que era sempre o Pai Natal já longe.
Sinceramente, tenho saudades de não sentir esta tristeza cheia de saudade...
#saudade -áris.